Você já deve ter reparado, em livros de história, novelas de época ou séries que retratam o passado, que a infância praticamente não existia. Ser criança era apenas ser menor, mas as roupas e as responsabilidades eram as mesmas dos adultos.

No passado, muitas famílias se apoiavam em interpretações distorcidas de dogmas religiosos para justificar o uso de violência na educação dos filhos. Isso nos mostra como a noção de infância é recente, e como a prática de bater nos filhos é uma questão cultural, muitas vezes associada ao respeito.

Se a violência é algo comum na sua casa, você provavelmente já se perguntou: “Aqui em casa, só resolvemos as coisas depois de uma palmada. Sempre funcionou! Se é tão ruim, por que dá certo?”

Por que bater funciona?

Antes de explicar por que bater nos filhos pode parecer eficaz para gerar obediência, quero deixar claro que este não é um texto de julgamento. Eu entendo profundamente como é se sentir sem opções, acreditando que bater seja a única forma de ser ouvida, e também sei que isso nunca traz satisfação para nós, pais.

Agora, vamos ao ponto:

Bater nos filhos pode parecer “funcionar” a curto prazo, mas essa obediência geralmente vem do medo, não de compreensão ou respeito.

Vamos exemplificar assim:

Você já pediu várias vezes para o seu filho tomar banho em um intervalo de 30 minutos. O cansaço e a frustração começam a bater, então você decide pegar o chinelo e dar umas palmadas. Imediatamente, seu filho obedece, e parece que isso se resolveu. No entanto, aqui está o que realmente acontece no cérebro da criança naquele momento:

Em resumo, quando você dá chineladas, seu filho não entende o que você quer ensinar. Ele apenas reage de forma instintiva, buscando se proteger da dor.

Bater não cria obediência verdadeira, baseada em respeito e compreensão. Quem acha que o problema foi resolvido porque a criança “aprendeu” está, na verdade, celebrando a criação de uma memória traumática.

Além das respostas físicas imediatas, há também as consequências emocionais que aparecem na adolescência e até na vida adulta dessa criança.

Impactos de uma chinelada

Eu entendo… Há momentos no dia a dia em que parece quase impossível manter a paciência e as coisas acabam saindo do controle. Mas é fundamental termos em mente os impactos que essas atitudes podem ter.

Voltando à historinha das palmadas antes do banho, vamos refletir sobre os impactos emocionais e a longo prazo de uma rotina constante de punições físicas:

Agora, imagine como seria esse adolescente em um relacionamento, numa entrevista de emprego, ou enfrentando os desafios do dia a dia. Como ele vai dar o primeiro beijo se carregar tanta insegurança e falta de autoestima? Como vai lidar com uma bronca do chefe se estiver repleto de raiva e ressentimento?

Eu sei que, como pais, mesmo quando recorremos a uma ou outra palmada, nosso objetivo é sempre o bem-estar dos nossos filhos. Por isso, quero te mostrar alguns passos para começar a remover a violência da rotina e criar um ambiente mais saudável.

O que fazer quando só bater funciona?

Esses passos vão te ajudar bastante, seja você mãe, pai ou responsável, nos momentos em que parece que a paciência vai se esgotar e também te guiar durante os períodos de calmaria, quando é mais fácil refletir sobre como agir.

1° Passo: Reconheça a necessidade de mudança
É importante reconhecer que, mesmo que bater pareça “funcionar” a curto prazo, os impactos emocionais e psicológicos a longo prazo podem ser prejudiciais. Reforce para si mesma que deseja construir uma relação baseada no respeito e na compreensão.

2° Passo: Identifique os gatilhos
Quais são os momentos que mais te estressa e te fazem pensar em bater? É quando a criança te desafia? Durante as brigas entre irmãos? Ou diante de uma birra? Identificar esses momentos é essencial para prevenir uma reação impulsiva.

3° Passo: Faça uma pausa
Se perceber que está prestes a perder a paciência, faça uma pausa. Saia do ambiente por alguns minutos, respire fundo e conte até dez. Isso permite que seu cérebro “esfrie” e você possa reagir de forma mais controlada e positiva.

4° Passo: Fale com clareza
Explique claramente o comportamento que você espera da criança. Em vez de focar no que ela fez de errado, mostre o que ela pode fazer de maneira diferente.
Exemplo: Ao invés de dizer “Pare de bagunçar”, diga “Você pode brincar, mas precisa guardar os brinquedos depois.”

5° Passo: Use consequências naturais ou lógicas
Em vez de recorrer à punição física, deixe que a criança enfrente as consequências naturais de suas ações ou estabeleça consequências lógicas relacionadas ao comportamento.


Exemplo: Se a criança quebrou um brinquedo que deixou no chão, explique que ela não terá outro brinquedo imediatamente. Assim, ela aprende que suas ações têm consequências reais.

E se você está buscando uma forma de transformar de vez o seu relacionamento familiar e conquistar uma obediência saudável, eu tenho a ferramenta perfeita para te ajudar!

Conheça o “Linguagem da obediência”

As crianças são movidas por suas emoções e graças a evolução da neurociência e da psicologia, existe você tem acesso a uma comunicação capaz de fazer seu filho obedecer de forma voluntária.

Essa ferramenta é a mesma utilizada nos desenhos animados, que as crianças passam boa parte do tempo assistindo. 

E depois de ter estudado muito, aplicado nos meus próprios filhos e estar colhendo os resultados, eu posso afirmar com toda certeza que essa ferramenta funciona! 

E como mãe e psicóloga infantil, eu não posso guardar essa descoberta só para mim.

Por meio deste artigo, eu convido você a fazer parte das mais de 11.247 mães e pais que realizaram o programa Linguagem da obediência e hoje não são mais reféns de gritos para educar os seus filhos.

Grande beijo.

Michelle Bottrel

Sobre a Michelle

Psicóloga há mais de 13 anos, Michelle também é mãe do Nicholas e do Christian, neuropsicóloga, especialista em educação infantil e membro da sociedade brasileira de psicologia, membro do Instituto de saúde mental infantil canadense e instrutora de certificação com reconhecimento do MEC.

Nos últimos anos, Michelle Bottrel já ajudou mais de 11.247 mães e pais a criar filhos bem-sucedidos.

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