“Mas mãe, todo mundo joga.”
Se você já ouviu essa frase, saiba que não está sozinho.
Hoje, é cada vez mais comum que crianças entre 6 e 9 anos peçam para baixar jogos porque “todos os amigos da escola têm”. O problema é que muitos pais analisam apenas se o jogo tem desenhos coloridos e acabam não percebendo os riscos escondidos por trás da tela.
Como neurocientista, sempre digo que o problema não é apenas o videogame. O cérebro infantil ainda está em desenvolvimento e, nessa fase, impulsividade, controle emocional, atenção e senso crítico ainda estão sendo construídos. Por isso, alguns jogos exigem muito mais maturidade do que uma criança dessa idade possui.
Veja os principais.
1. Roblox
É provavelmente o jogo que mais preocupa especialistas quando usado sem supervisão.
Apesar da aparência infantil, Roblox não é apenas um jogo: é uma plataforma onde milhões de pessoas criam experiências diferentes.
Dentro dela existem jogos excelentes… mas também existem ambientes de terror, violência, linguagem imprópria e contato com desconhecidos.
Outro ponto de atenção é o chat, que permite interação com pessoas que a criança nunca viu.
Idade sugerida: 18 anos
2. Free Fire
Um dos jogos mais populares entre crianças brasileiras.
Embora seja muito conhecido, trata-se de um jogo baseado em combate e sobrevivência.
Além da violência, ele apresenta:
- partidas extremamente competitivas;
- linguagem ofensiva entre jogadores;
- contato com desconhecidos;
- compras constantes de itens virtuais.
Outro fator importante é o potencial de uso excessivo. Muitas crianças têm dificuldade para interromper uma partida.
3. Fortnite
Visualmente parece um desenho animado.
Mas continua sendo um jogo de tiro.
O grande desafio não é apenas a violência, mas a enorme estimulação cerebral, as partidas longas e a interação por voz com jogadores desconhecidos.
4. GTA (Grand Theft Auto)
Esse talvez seja o jogo que mais gera dúvidas entre os pais.
Apesar de muitas crianças dizerem que “só gostam de dirigir carros”, o ambiente do jogo inclui violência, roubos, armas, drogas, prostituição e linguagem adulta.
Não é indicado para crianças.
5. Five Nights at Freddy’s
Os personagens parecem brinquedos.
Mas o jogo é de terror.
Muitas crianças brasileiras conhecem esse universo através de vídeos no YouTube.
O resultado pode ser:
- medo intenso;
- pesadelos;
- dificuldade para dormir;
- aumento da ansiedade.
6. Poppy Playtime
Outro exemplo de personagens aparentemente fofos que escondem um conteúdo assustador.
Mesmo quando a criança não joga, assistir a vídeos repetidamente pode provocar medo e insegurança.
7. Garten of Banban
Colorido, divertido à primeira vista…
Mas desenvolvido como um jogo de suspense e terror psicológico.
Não costuma ser apropriado para crianças pequenas.
8. Stumble Guys (quando usado sem limites)
Diferente dos anteriores, Stumble Guys não apresenta violência intensa.
Mesmo assim, merece atenção.
Por ser um jogo de partidas rápidas e recompensas constantes, algumas crianças entram no famoso ciclo do “só mais uma partida”, tornando difícil interromper o uso.
O problema deixa de ser o conteúdo e passa a ser o excesso.
E Minecraft?
Minecraft costuma ser uma das melhores opções para essa faixa etária quando utilizado no modo criativo e com supervisão.
Ele favorece:
- criatividade;
- resolução de problemas;
- planejamento;
- raciocínio espacial;
- cooperação.
O cuidado continua sendo o acesso a servidores públicos, onde há interação com desconhecidos.
O maior risco não está apenas no jogo.
Está na falta de supervisão.
Uma criança de 7 anos ainda não possui maturidade para identificar manipulação, golpes, assédio, cyberbullying ou conteúdos inadequados.
Antes de baixar qualquer jogo, pergunte:
✔ Existe chat com desconhecidos?
✔ Há compras dentro do jogo?
✔ O conteúdo é adequado para a idade?
✔ Meu filho consegue desligar quando o tempo acaba?
✔ O jogo está substituindo brincadeiras, esportes, leitura ou momentos em família?
Essas perguntas são muito mais importantes do que simplesmente perguntar: “Esse jogo é violento?”
Atenção:
Nenhum jogo, por melhor que seja, pode ocupar o lugar das experiências que realmente constroem o cérebro infantil.
A infância precisa de movimento, conversa, brincadeiras presenciais, contato com a natureza, leitura, frustração, criatividade e vínculos afetivos.
A tecnologia pode fazer parte dessa jornada. Mas ela jamais deve ser a protagonista.
Michelle Bottrel